artulobo

Archive for março \30\UTC 2011|Monthly archive page

Dorgas e Holger na Lona Cultural de Realengo (2011)

In Música, Show on 30/03/2011 at 12:22

Tá faltando um

eles aqui eram mais novos ainda

Cruzamos a Zona Norte (Tijuca, Maracanã, Mangueira, Sampaio, Engenho Novo, Cachambi, Piedade, Quintino, Cascadura, Madureira, Campinho, Vila Valqueire, Sulacap, Mallet, Realengo, ao todo 14 bairros) para ver dois shows (sem ser um grande fã das bandas) numa lona cultural que não tem o melhor sistema de som (embora no final das contas o som que ouvimos fosse uma bola sonora, da mesma forma que dizemos parede sonora) – não tem nem refrigeração ou mesmo ventilação. Meio impensável. Mesmo que tenha passado minha vida atravessando a cidade atrás de eventos no centro de aglomerações culturais (AKA Zona Sul).

A explicação vem do fato da Lona Cultural de Realengo ser o melhor lugar da cidade pra ver bandas alternativas. Deduzi isso de um show dos Los Hermanos lá, onde 4400 pessoas se espremeram num espaço onde caberia no máximo a metade, formando algo como um mar de gente pulando dentro de uma sauna, com um Amarante e um Camelo insanos tocando o 4, sem teclado, que pifou  (Los Hermanos não são tão alternativos – Oh, que quer dizer alternativo? Conversas estúpidas sem fim; como é chato se explicar; confie em mim isso pode ter um sentido).

As bandas – Holger e Dorgas – tocariam numa festa, a Roqueadores. Musicalmente, ela parece uma viagem à 2005, algo como uma Ploc 00s – i’m bored and old – me sinto babaca, você é um babaca dizendo isso, apesar de verdade, pois a euforia e a animação (em maior parte de recém saídos dos pátios escolares e ingressos na massa de roqueiros buscando se vestir como se veste um roqueiro) era linda e absolutamente contagiante – daquelas que transforma um carão em carinho, diria a Letícia. Pureza, simples alegria.

Conversar com um garoto de 22 anos, procurando seus colegas de 18, 18 e 20 anos, nervoso porque iria tocar daqui a pouco, tentando ainda entender porque vai abrir o show do Holger, fez o inicio da noite melhor ainda. Fiz uma entrevista sem querer. Ele me garantiu que se o Dorgas, sua banda, virou algo como um hype nos meios indie, na internet e entre as pessoas “descoladas”, não foi por esforço de divulgação de ninguém da banda – nas entrelinhas foi boca a boca, ou melhor, momento infame, de ouvido a ouvido – bastou chegar a um Amigo dos Amigo com um pouco mais de influência para a reação em cadeia começar – e agora shows marcados, a maioria em São Paulo (o Rio trata seus filhos como bastardos?), álbum em negociação (shh!). Perguntei se havia chance do som deles mudar até o álbum. Pergunta idiota para uma banda que decide o nome de suas musicas como um captcha (“contamos até dez e escolhemos o melhor nome espontâneo que vier, p. ex. “loxhanxha”), que a única interseção musical entre seus membros é o hiphop do Madvillain, que acha que o africanismo do Vampire Weekend et al já era (“preferimos ouvir coisas latinas tipo música peruana”). Esses são os resultados da minha entrevista, com a observação que tenho péssima memória e uma imaginação opressora.

Entra o Dorgas. Uma das coisas boas de assistir a apresentações na lona é dividir espaço com os artistas: o Holger inteiro estava na nossa frente. O show é muito bom – resumindo, são garotos que tocam super bem transformando o melhor rock progressivo em indie rock. Estes rótulos na verdade são toscos pra descrever. Uma banda louca. Sai de um lance meio Zumbi do Mato pra um lance meio Holger em segundos, usa um sampler de sexo e um baixo com muita distorção, dancinhas afetadas dignas de um Ian Curtis ou um Thom York levadas por um baterista incrível. Era dia.

O publico ainda estava meio desnorteado quando o Holger entrou. Pensei: se esse show tiver um terço da energia do show de São Paulo no último Planeta Terra vai ser irado. Teve o triplo. Você à 30 centimentros (sem exagero) da guitarra de um Pata muito doido. No brakes. O show começa forte e não diminui a pressão. Clichês do rock misturavam-se a elementos originais: energia punk, ecos da Africa, poses do hard rock (menos os pulinhos e os gestos ensaiados), teclados de música eletrônica cheios de efeitos, a violência das batidas, riffs singelos e pregnantes, sem erros mesmo quando completamente alterados, tocaram “the auction”, guitarristas fazendo flexão durante a música, os Dorgas entrando no palco toda hora para participações, abrir uma roda na platéia para tocar, usar uma vinheta inesperada entre as músicas, fazer um cover abrasileirado de “hey” do Pixies, terminar tudo em clima de funk com o Cassius do Dorgas cantando “so foda” e um maluco da platéia puxando um rap inédito chamado “bonde do pau molão” com mais 40 pessoas do público no palco, entre elas um cara que assumiu o baixo, um rodie de cueca preta (ou sunga?) e muitas risadas. Alto astral total. Um show, como eles disseram, dedicado aos Dorgas. E não foi o clímax: o ponto alto foi a versão agressiva de Beaver, que instaurou um verdadeiro ritual indígena na lona. Tudo foi gravado e será colocado num site de um projeto de uma revista gringa, a Vice.

(Dúvido que alguém leia tudo isso). Se você quiser entender melhor, leia isto. Uma noite inesquecível.

Anúncios

And everything is going fine – Steven Soderbergh (2010)

In Cinema on 23/03/2011 at 18:45

um brinde à sinceridade. documentário simples sobre um cara simples que ousou falar sobre si – falando bem – em sua arte. e até emociona.
se o soderbergh sempre alcançasse algo parecido com isso em seus filmes entraria pro meu top 5 diretores.

Coming through – The War on Drugs (2010)

In Música on 22/03/2011 at 0:17

Pra relaxar. Dylan alike?

Io sono l’amore – Luca Guadagnino (2009)

In Cinema on 22/03/2011 at 0:06

Hmmm

Depois de dar 100 (malditas) escovadas antes de dormir, Luca aprendeu a lição: não será um menino mau. Assumiu o erro e tocou a vida.

Então veio o amor. E a beleza: neste filme tudo é belissímo.

O filme me disse: quando você faz parte da alta burguesia mundial, o fetiche é a ponte para o amor. Mas ele custa caro.

Ordinário – Rafael Sica (2011)

In arte, Literatura, Quadrinhos on 21/03/2011 at 22:49

(...)

(...) (2)

(...) (3)

MUTE

MUTE (2)

Estou meio por fora do quadrinho alternativo pra saber o que é original, mas sei que isso é a bobeira tornada genial.

Se existe Arte com A maiusculo, o Sr. Sica elevou os rabisco no caderno de estudantes de segundo grau semi-depressivos desinteressasdos da aula a tal status.

Continue assim e não repita de ano.

La Dentellière – Claude Goretta (1977)

In Cinema on 19/03/2011 at 17:47

Essa cena é inesquecivel

Conhecido por aqui como “Um amor tão frágil”. Mais um lançado pela Lume filmes.

Em grande parte graças a Isabelle Huppert (aos 24, parecendo 19), vi o filme mais triste da minha vida. Triste pela banalidade da tragédia.

O modelo de como fazer um filme sem apelar. Uma história simples basta quando se tem uma grande atriz e um diretor correto.

Jackass 3D – Jeff Tremaine (2010)

In Cinema, TV on 19/03/2011 at 17:33

Quem diria que Salò viraria brincadeira de criança, quer dizer, de adulto.

Onde houver um pouquinho de humor, lá estarei.

Cerejeiras em Flor (Kirschblüten – Hanami) – Doris Dörrie (2008)

In Cinema, dança on 14/03/2011 at 13:53

 

Tem gringo no Butô

Uma homenagem alemã ao grande Ozu. Quase um roteiro adaptado de “Tokyo Story“.

É bacana. Vale a pena especialmente pelo Butô.

(e pela bela Nadja Uhl, a moça do Baader Meinhof)

El Último Lector – David Toscana

In Literatura on 01/03/2011 at 2:01

"La biblioteca de Icamole se ha quedado sin lectores."

A tentativa de construir uma mulher e dar conta da morte através das palavras/literatura. No meio do deserto do México, entre um abacateiro e a memória de uma guerra. Uma forma de construir o mundo através do escrito (de preferência cortando e recortando as frases e palavras).

Só assim há a chance de construir uma mulher e dar contorno a morte. Bom livro.

 

Ps.: Não confundir com o livro do mesmo nome, só que do Piglia.