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Archive for junho \14\UTC 2011|Monthly archive page

Criolo – Nó na Orelha (2011)

In arte, Música on 14/06/2011 at 0:15

Essa é a primeira desse discaço.

Faço um retrato fantasioso do Criolo: as composições deste disco parecem vindas da cabeça de alguém que esta saindo, graças aos discos do Fela Kuti e do Jorge Ben, de uma depressão regada a maconha, saindo do quarto escuro que virou sauna. Agora na luz do dia, com fé na vida, o amargo do mundo vira poesia numa voz que oscila entre um sabotage upgraded, um curumim entristecido, um Otto negro. Um criolo doido que passou pela imunização racional. “Sou um ser em formação”, como o proprio disse. Pode curtir aqui. O mês inteiro. Quero o volume dois.

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Castles in the Snow [e] At my heels – Twin Shadow (2010)

In Cinema, Música, TV on 01/06/2011 at 0:36

 

Do album Forget.

Dois clipes montados com imagens antigas por Jamie Hartley. As fontes são dois documentários: um brasileiro, chamado “punks”, 1983, de Alberto Gieco; o outro “Wildwood, N.J.”, 1994, de Carol Weaks/Cassidy/Ruth Leitman.

(Droga, viciei).

Infelizmente pra ir no show (dia 02Jun) você precisava passar por uma ridicula gincana tarefa que promove a marca que o trouxe pra promover.

Queremos não quis (trazer pro Rio). Fico me enganando imaginando que existia um contrato de exclusividade ou algo assim.

Tudo bem. No fundo é mais um 80s – muito legal – chega, até quando?

Boas letras.

Arranjos interessantes, mesmo se retro – requentados e requintados, não resisti.

Céu no Viradão Carioca, palco Arpoador (2011)

In celebridades, Música, perrengue on 01/06/2011 at 0:01

Os organizadores da viradinha carioca, na tentativa de fazer uma homenagem ao antigo circo voador, que foi criado na praia do Arpoador, em idos de 1982 (eu não era nascido!), decidiram fazer um espaço fechado que lembrasse (?) as antigas instalações. Poderia ser uma boa idéia, se a estrutura fosse parecida com a de um circo pelo menos. Seria uma boa, se fosse um pouco maior.

Destinado ao público do lado de fora deste espaço fechado, um pequeno telão, com baixa definição, exibe o que uma câmera estática, razoavelmente distante, pegando o palco inteiro, filma. Não há circulação livre para entrar nessa estrutura, onde o palco se encontrava: seguranças e grades limitavam o acesso, “para evitar superlotação”, dizia a “organização”. Ou seja, foi uma idéia pior ainda.

(Não sei porque, mas essas reclamações sobre a organização de shows sempre tem um caráter ridículo, por mais justas que sejam – afinal de contas, seja organizada por uma empresa privada ou pela administração pública, é nosso dinheiro em jogo e queremos ser bem atendidos. Talvez pareçam ridículas por que ir a um show implica em curtir, em se soltar, ou seja, no avesso desse espírito anal de ver problema em cada detalhe).

Resultado: Seguranças estressados segurando com o corpo e as mãos nas grades a massa que pressiona e reclama para entrar. Termina o show do Arnaldo Antunes, que assisti espremido em todo tipo de gente, inclusive um catador de latas cheiroso, que fez o símbolo de “uma facção criminosa” pra câmera que filmou a aglomeração, que me perguntou se era Raul o nome do cara que ia fazer o show no engenhão e o nome da favela mais próxima de lá, que cantava uns funks pra mim – até agora não entendi bem porque, melhor assim. A massa quer entrar pro show da Céu, que começara em breve. A pressão em cima da grade, com apoio daqueles que estavam na grade, aumenta. Retiram o adesivo com o símbolo do governo da tenda. O coro começa: “deixa entrar, deixa entrar”, “li-be-ra! Li-be-ra!”. A proteção da tenda, que era de plástico, começa a ser rasgada por patricinhas que estavam ao mesmo tempo irritadas por não entrar e felizes por destruir. Membros da organização dizem “só vai liberar se a fila tiver educação”. A massa grita: “Por fa-vor! Por fa-vor! Por fa-vor!”. Tem que rir. Mais pressão na grade. O segurança já tá suando. Um ou outro dos espremidos contra a grade começa a reclamar, fingindo ou não, “tá machucando, libera aí!”. Um policial aparece e tira o dele da reta: “é com a organização”. Pressão em cima do policial “mas tem gente se machucando, fala com ele lá!”. Mais força, ininterrupta e crescente, contra a grade. Outro policial aparece, já com spray de pimenta na mão, discretamente. Lá dentro vazio e esvaziando. A grade vai andando e quase sem querer acaba formando um vão junto a entrada, por onde a boiada passa, um por um. Formação de compromisso entre a massa e a organização. Todos prontos pra ver o show agora, inclusive a Mart’nalia e Erik Mader, no palanque VIP (tinha isso no Circo Voador original?) – sim, elas entraram por outro lugar.

A divina Maria do Céu entra, com uma rotação lenta – que vai aumentando ao longo do show. Talvez seja show de fim de turnê: a banda está afiadíssima, tudo casa, no ritmo, com perfeição. Passam os hits. Cumadi é a primeira a sair melhor que no disco. Depois Grains de Beaute. O auge do show é a versão de uma música talvez menor: Nascente, do Vagarosa. Com um arranjo um pouco diferente, com um baixo mais presente (ainda), com os efeitos menos tímidos, ela segue arrepiante, hipnotizante, num crescendo – clímax – a própria voz da Céu aumenta – tudo termina num outro mais improvisado, levando o clima orgástico. Fico chateado disso não ter no youtube. Se alguém gravou, por favor.

Pela versão de uma música de um dos melhores discos do Erasmo Carlos, de 1971, dá pra ter uma idéia do show: